A geração distribuída (GD) pode ter um impacto social positivo muito relevante. O diretor regional da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) em Minas Gerais, Walter Abreu, demonstrou, em uma apresentação do Fórum GD online, como projetos de geração descentralizada de energia solar, desenvolvidos no sertão do norte mineiro, tem sido relevante para a geração de recursos para famílias de baixa renda e transformador da economia regional.

"Chegou a hora de mudar o conceito de políticas públicas e desenvolver modelos que sejam aliados ao clima de cada região", destacou Abreu. O executivo contou que a forte incidência solar e a ausência de chuvas que tanto castigaram o norte do Estado de Minas Gerais agora podem ser recursos aproveitados para desenvolver a região. "Para que a geração distribuída consiga cumprir o seu papel social, é preciso que haja segurança jurídica", ponderou. Abreu se referia ao processo de revisão da norma que regula a geração distribuída, em curso na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e que pode comprometer a viabilidade dos projetos.

O professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) José Goldemberg também abordou o papel social da geração distribuída, destacando suas potencialidades para superar a crise que o mundo todo enfrenta devido à covid-19. Goldemberg ponderou que muitos governos não possuem mais condições de financiar projetos enormes e custosos de geração centralizada e disse que, no momento, uma das soluções para superar a crise e aquecer a economia são os projetos menores de geração distribuída.

As diversas possibilidades de transformação social pela geração distribuída, seja para resolver problemas antigos ou atuais, foram comentadas durante as palestras e mesas do primeiro dia do Fórum GD online, que teve mais de 3 mil inscrições. "O número demonstra a força do nosso setor", comemora Carlos Evangelista, presidente da ABGD. A primeira edição virtual do tradicional evento, que conta com cinco edições regionais presenciais por ano, teve audiência também em outros países, como Colômbia, Uruguai e Estados Unidos. O executivo destaca o pioneirismo da realização desse fórum e, a partir da experiência, diz acreditar que o formato inaugura uma nova maneira de debater a geração distribuída com executivos do Brasil todo.

Sobre a ABGD:

A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), maior associação brasileira do setor de energias renováveis, conta com mais de 800 associados, entre eles provedores de soluções, EPC´s, integradores, distribuidores, fabricantes, empresas de diferentes tamanhos e segmentos, além de profissionais e acadêmicos, que têm em comum a atuação direta ou indireta na geração distribuída. Foi fundada em 2015 para dar legitimidade às demandas de empresas dedicadas à microgeração e minigeração de energia elétrica a partir de fontes limpas e renováveis. A ABGD representa e defende os interesses de seus associados junto aos órgãos governamentais, entidades de classe, órgãos reguladores, agentes do setor, e mais do que isso, trabalha na difusão da GD para os diferentes setores da sociedade, incorporando os conceitos de sustentabilidade, retorno financeiro, segurança jurídica, eficiência energética e previsibilidade de gastos no que tange à geração e consumo de energia no local de consumo ou próximo a ele.

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